Destaque editorial
O fogo destruiu quase 100 mil barris. Trinta anos depois, a Heaven Hill colocou a memória da tragédia em uma garrafa.

Em 7 de novembro de 1996, um incêndio transformou a história do bourbon americano. Alimentadas por ventos intensos, as chamas destruíram a destilaria original da Heaven Hill, em Bardstown, e sete armazéns de maturação. Quase 100 mil barris foram perdidos.
O prejuízo foi estimado em US$ 30 milhões. Nenhuma vida foi perdida e, segundo a empresa, nenhum funcionário perdeu o emprego. A levedura utilizada pela destilaria também foi preservada — um detalhe fundamental para a continuidade de sua identidade produtiva.
Agora, três décadas depois, a Heaven Hill apresenta o Phoenix, um Kentucky Straight Bourbon Whiskey de edição única que combina bourbon de 18 anos, destilado em março de 2008, com uma parcela de whiskey de 30 anos produzida antes do incêndio.
É essa pequena presença do passado que torna o lançamento especialmente interessante. O líquido mais antigo não é apenas um componente de maturação: ele estabelece uma ligação física com uma destilaria que deixou de existir.
Engarrafado a 53,5% de álcool, o Phoenix apresenta, segundo as notas oficiais, caramelo, canela, noz-moscada, maçã assada e carvalho. A garrafa de 750 ml tem preço sugerido de US$ 325 nos Estados Unidos, com distribuição selecionada a partir de outubro.
Há algo que o whisky ensina melhor do que muitos objetos de luxo: o tempo não pode ser fabricado depois. Uma destilaria pode reconstruir seus edifícios, comprar equipamentos e produzir novos barris. Mas não consegue voltar a 1996 para destilar novamente o whiskey que perdeu.
O Phoenix não apaga aquela noite. Ele demonstra que parte de sua história ainda pode ser compartilhada, uma dose de cada vez.





