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Estilo & Comportamento
Os clubes dos milionários descobriram que exclusividade já não basta

Durante muito tempo, pertencer a um clube privado significava fazer parte de um círculo ao qual poucos tinham acesso. O campo de golfe, o salão de jantar e os encontros entre empresários funcionavam como símbolos de uma distinção social cuidadosamente preservada. Mas algo curioso está acontecendo nos Estados Unidos: alguns dos clubes mais exclusivos do país estão descobrindo que manter as pessoas do lado de fora já não é suficiente para convencer outras a permanecer do lado de dentro.
Uma reportagem publicada pelo The Wall Street Journal em 23 de outubro revela que esses estabelecimentos estão passando por uma transformação significativa. Piscinas com estrutura de resort, centros de bem-estar, restaurantes descontraídos, esportes de raquete e atividades infantis passaram a disputar espaço com os tradicionais campos de golfe. O objetivo não é necessariamente abandonar a exclusividade, mas torná-la relevante para diferentes gerações de uma mesma família.
O exemplo mais impressionante vem do Grey Oaks Country Club, em Naples, na Flórida. Após investimentos de aproximadamente US$ 85 milhões em melhorias, o clube viu sua receita operacional crescer de US$ 31 milhões, em 2020, para US$ 49 milhões em 2026. No mesmo período, sua taxa de admissão para a modalidade de golfe passou de US$ 160 mil para US$ 400 mil, segundo os dados apresentados pela reportagem.
Os números revelam um aparente paradoxo: quanto mais experiências esses clubes oferecem, maior pode se tornar o valor de pertencer a eles. A transformação, entretanto, não começou por acaso. Depois da crise financeira de 2008, parte do setor enfrentou queda nas receitas, redução das listas de espera e dificuldades para atrair novos associados. Os estabelecimentos que investiram em instalações e serviços diversificados encontraram novas oportunidades.
Outro exemplo é o Landings Golf & Athletic Club, na Geórgia, onde a ampliação das opções gastronômicas acompanhou um crescimento expressivo das receitas de alimentos e bebidas. O clube deixou de ser apenas um lugar para praticar esportes e passou a ocupar uma posição mais importante na rotina social de seus membros.
Existe aqui uma mudança que merece atenção. Durante décadas, a exclusividade esteve associada principalmente à escassez: poucas vagas, acesso restrito e tradições preservadas. Agora, esses mesmos atributos precisam conviver com expectativas de conforto, hospitalidade, informalidade e participação familiar.
Isso não significa que o prestígio esteja desaparecendo. Significa que ele está adquirindo novas funções.
Talvez o verdadeiro privilégio contemporâneo não seja simplesmente entrar em um lugar onde poucos conseguem entrar. Seja encontrar um ambiente onde diferentes gerações desejem permanecer, construir lembranças e voltar.
Afinal, um clube pode cobrar centenas de milhares de dólares pela admissão. Mas nenhum valor, por mais elevado que seja, garante aquilo que realmente sustenta uma comunidade: o desejo de fazer parte dela.





