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Estilo, comportamento, charutos e cultura masculina

OAK Radar — O novo significado do prestígio

Clubes privados reinventam a exclusividade, Pelé inspira uma nova coleção de moda, Davidoff aposta em charutos raros e a Macallan revela outro capítulo da maturação.

Por Equipe OAK 13 min de leitura 5 notícias

OAK Radar — O novo significado do prestígio
Clubes privados de alto padrão estão ampliando suas experiências para diferentes gerações, combinando tradição, exclusividade e novas formas de convivência.Divulgação / Grey Oaks Country Club

O prestígio sempre teve seus símbolos. Um relógio reconhecido por poucos, um charuto reservado a determinados mercados, uma peça de alfaiataria ou o privilégio de frequentar um clube privado. Mas existe uma transformação interessante acontecendo: aquilo que antes distinguia as pessoas apenas pelo acesso começa a ser valorizado também pela experiência que proporciona.

Nesta edição, a OAK observa como tradicionais clubes americanos estão investindo em convivência familiar, gastronomia e bem-estar sem abandonar a exclusividade. Voltamos também aos anos 1960 e 1970, quando Pelé já representava uma elegância que ultrapassava os gramados, agora recuperada por uma coleção de moda.

O colecionismo aparece na nova estratégia da Davidoff, que transforma cidades em parte da identidade de seus charutos. No mercado de luxo, os resultados recentes das grandes marcas levantam uma pergunta incômoda: até onde o prestígio consegue justificar preços cada vez maiores?

E, no universo do whisky, a Macallan oferece um motivo para olhar novamente para os barris e compreender por que a sequência da maturação pode ser tão importante quanto a madeira utilizada.

Cinco histórias diferentes, conectadas por uma mesma questão: o que realmente faz alguma coisa merecer nosso desejo?

Destaque editorial

Estilo & Comportamento

Os clubes dos milionários descobriram que exclusividade já não basta

Os clubes dos milionários descobriram que exclusividade já não basta
Durante muito tempo, pertencer a um clube privado significava fazer parte de um círculo ao qual poucos tinham acesso. O campo de golfe, o salão de jantar e os encontros entre empresários funcionavam como símbolos de uma distinção social cuidadosamente preservada. Mas algo curioso está acontecendo nos Estados Unidos: alguns dos clubes mais exclusivos do país estão descobrindo que manter as pessoasDivulgação / Grey Oaks Country Club

Durante muito tempo, pertencer a um clube privado significava fazer parte de um círculo ao qual poucos tinham acesso. O campo de golfe, o salão de jantar e os encontros entre empresários funcionavam como símbolos de uma distinção social cuidadosamente preservada. Mas algo curioso está acontecendo nos Estados Unidos: alguns dos clubes mais exclusivos do país estão descobrindo que manter as pessoas do lado de fora já não é suficiente para convencer outras a permanecer do lado de dentro.

Uma reportagem publicada pelo The Wall Street Journal em 23 de outubro revela que esses estabelecimentos estão passando por uma transformação significativa. Piscinas com estrutura de resort, centros de bem-estar, restaurantes descontraídos, esportes de raquete e atividades infantis passaram a disputar espaço com os tradicionais campos de golfe. O objetivo não é necessariamente abandonar a exclusividade, mas torná-la relevante para diferentes gerações de uma mesma família.

O exemplo mais impressionante vem do Grey Oaks Country Club, em Naples, na Flórida. Após investimentos de aproximadamente US$ 85 milhões em melhorias, o clube viu sua receita operacional crescer de US$ 31 milhões, em 2020, para US$ 49 milhões em 2026. No mesmo período, sua taxa de admissão para a modalidade de golfe passou de US$ 160 mil para US$ 400 mil, segundo os dados apresentados pela reportagem.

Os números revelam um aparente paradoxo: quanto mais experiências esses clubes oferecem, maior pode se tornar o valor de pertencer a eles. A transformação, entretanto, não começou por acaso. Depois da crise financeira de 2008, parte do setor enfrentou queda nas receitas, redução das listas de espera e dificuldades para atrair novos associados. Os estabelecimentos que investiram em instalações e serviços diversificados encontraram novas oportunidades.

Outro exemplo é o Landings Golf & Athletic Club, na Geórgia, onde a ampliação das opções gastronômicas acompanhou um crescimento expressivo das receitas de alimentos e bebidas. O clube deixou de ser apenas um lugar para praticar esportes e passou a ocupar uma posição mais importante na rotina social de seus membros.

Existe aqui uma mudança que merece atenção. Durante décadas, a exclusividade esteve associada principalmente à escassez: poucas vagas, acesso restrito e tradições preservadas. Agora, esses mesmos atributos precisam conviver com expectativas de conforto, hospitalidade, informalidade e participação familiar.

Isso não significa que o prestígio esteja desaparecendo. Significa que ele está adquirindo novas funções.

Talvez o verdadeiro privilégio contemporâneo não seja simplesmente entrar em um lugar onde poucos conseguem entrar. Seja encontrar um ambiente onde diferentes gerações desejem permanecer, construir lembranças e voltar.

Afinal, um clube pode cobrar centenas de milhares de dólares pela admissão. Mas nenhum valor, por mais elevado que seja, garante aquilo que realmente sustenta uma comunidade: o desejo de fazer parte dela.

Reportagem completaA Macallan inverteu a ordem dos barris. Mas será que a ordem muda o sabor?

Estilo Masculino & Personalidades

Antes de existir a moda dos atletas, Pelé já era um ícone de elegância

Antes de existir a moda dos atletas, Pelé já era um ícone de elegância
A coleção O Nome Além do Tempo recupera a elegância das viagens internacionais de Pelé e do Santos, combinando alfaiataria esportiva e referências contemporâneas.Divulgação / Santos FC, Umbro e Pelé Brand

Hoje, parece natural encontrar jogadores de futebol nas primeiras filas dos desfiles, em campanhas de marcas internacionais e nas capas de revistas de moda. O atleta deixou de ser apenas um esportista para se transformar em uma personalidade capaz de influenciar a maneira como milhões de pessoas se vestem. Mas, muito antes de essa relação se tornar uma indústria, um brasileiro já havia compreendido o poder da imagem: Pelé.

No dia 23 de outubro, data em que o Rei do Futebol completaria 86 anos, o Santos apresentou, em parceria com a Umbro e a Pelé Brand, a coleção O Nome Além do Tempo. Inspirada nas décadas de 1960 e 1970, a linha recupera referências do período em que o clube e seu maior jogador percorreram o mundo, transformando partidas de futebol em acontecimentos internacionais.

O projeto aposta em peças que dialogam com a alfaiataria esportiva, os casacos de viagem e a estética daquela época. Mais do que explorar a nostalgia, a coleção recupera um aspecto frequentemente esquecido da trajetória de Pelé: sua capacidade de representar o Brasil também fora dos gramados.

Há fotografias históricas em que Pelé aparece de terno, gravata, sobretudo e outros elementos de um guarda-roupa que hoje associamos à elegância clássica. Não se tratava simplesmente de vestir roupas caras. Era uma forma de apresentação pública que acompanhava sua posição como personagem internacional, recebido por chefes de Estado, artistas e personalidades de diferentes países.

O contraste com o presente é interessante. Atualmente, muitos atletas constroem sua imagem por meio da extravagância, da experimentação e da exposição constante nas redes sociais. Pelé pertencia a uma época em que a elegância masculina era frequentemente construída pela discrição, pela proporção das peças e pela formalidade das ocasiões.

Isso não significa que um período tenha sido necessariamente mais elegante do que outro. Significa que os códigos mudaram. O que antes era demonstrado por um terno bem ajustado hoje pode aparecer em uma colaboração com uma marca de luxo ou em uma coleção assinada.

A iniciativa do Santos também revela a força comercial da memória. Décadas depois de suas maiores conquistas, Pelé continua inspirando produtos, narrativas e novas interpretações de seu legado.

Talvez seja essa uma das características mais interessantes dos verdadeiros ícones: eles não pertencem inteiramente ao tempo em que viveram. Suas histórias continuam sendo reinterpretadas por gerações que não tiveram a oportunidade de vê-los em ação.

Pelé foi extraordinário com a bola nos pés. Mas sua imagem, construída ao longo de décadas, ajuda a explicar por que alguns atletas se tornam muito maiores do que o esporte que praticaram.

Charutos & Colecionismo

O charuto que só pode ser comprado em duas cidades: a nova estratégia de exclusividade da Davidoff

O charuto que só pode ser comprado em duas cidades: a nova estratégia de exclusividade da Davidoff
As novas edições City Edition da Davidoff apresentam misturas exclusivas para Nova York e Las Vegas, com vendas previstas a partir de 2 de novembro nas boutiques selecionadas da marca.Foto: Divulgação / Oettinger Davidoff

Durante muito tempo, a exclusividade de um charuto esteve associada à raridade do tabaco, ao tempo de envelhecimento ou ao número limitado de caixas produzidas. Mas a Davidoff decidiu explorar outra forma de despertar o interesse dos apreciadores: transformar o próprio endereço de compra em parte da história do produto.

Anunciadas em 22 de outubro, as novas edições City Edition homenageiam Nova York e Las Vegas. Cada uma apresenta uma mistura de tabacos desenvolvida especificamente para a cidade que representa, com identidade visual própria e distribuição restrita a pontos de venda selecionados. O lançamento comercial está previsto para 2 de novembro de 2026.

A ideia é interessante porque desloca a exclusividade da simples posse para a experiência de descoberta. Não basta desejar o charuto. É necessário encontrá-lo no lugar certo, em uma viagem, durante uma visita ou por meio de alguém que tenha acesso àquele mercado.

As duas versões compartilham o formato de 5½ polegadas por 55 de bitola, mas procuram oferecer personalidades distintas. A escolha dos tabacos e de suas proporções permite construir experiências sensoriais diferentes, mesmo quando as dimensões dos charutos são idênticas. É uma demonstração de que formato, por si só, não determina o caráter de uma mistura.

O preço sugerido é de US$ 49 por unidade, com apresentação em caixas de dez charutos. O valor coloca os lançamentos em um segmento no qual procedência, experiência de compra e percepção de raridade também participam da decisão do consumidor.

Existe aqui uma curiosa aproximação entre charutos, relógios e whiskies de coleção. Em todos esses universos, algumas edições passam a carregar uma história que ultrapassa suas características técnicas. Uma garrafa adquirida exclusivamente em determinada destilaria, um relógio reservado a uma boutique ou um charuto encontrado durante uma viagem tornam-se lembranças de um lugar e de uma ocasião.

Naturalmente, distribuição limitada não é sinônimo automático de qualidade superior. A excelência de um charuto continua dependendo da matéria-prima, da construção, da combustão e do equilíbrio de sua mistura. A exclusividade pode tornar a experiência mais interessante, mas não substitui seus fundamentos.

O que a Davidoff demonstra é que o luxo contemporâneo não se resume a produzir objetos difíceis de encontrar. Ele também procura criar circunstâncias que tornem sua aquisição memorável.

Talvez esteja aí a verdadeira provocação dessas novas edições: quando um charuto só pode ser comprado em determinada cidade, o colecionador está levando para casa apenas um produto ou também uma pequena parte da viagem?

Moda & Mercado de Luxo

O luxo ficou caro demais até para quem pode pagar? O sinal de alerta da Gucci

O luxo ficou caro demais até para quem pode pagar? O sinal de alerta da Gucci
A Gucci enfrenta o desafio de recuperar sua atratividade em um mercado no qual consumidores questionam cada vez mais a relação entre preço, qualidade e prestígio.Foto: Reuters

Durante décadas, a indústria do luxo cultivou uma ideia aparentemente inabalável: quanto mais exclusivo o produto, menos seu preço precisaria ser explicado. Uma bolsa podia custar o equivalente a um automóvel, um casaco ultrapassar o salário anual de muitas pessoas e uma simples camiseta carregar valores difíceis de justificar pela matéria-prima. O argumento era conhecido: não se comprava apenas um objeto, mas tradição, desejo e pertencimento. Agora, o mercado começa a fazer uma pergunta incômoda: até onde essa lógica consegue funcionar?

Na sexta-feira, 23 de outubro, as ações da Kering, grupo francês proprietário da Gucci, chegaram a cair 16% após a divulgação de resultados trimestrais decepcionantes. A grife italiana registrou receita de € 1,29 bilhão no terceiro trimestre de 2026, uma retração de 6% em bases comparáveis. As vendas nas lojas próprias recuaram 9%, enquanto o movimento de consumidores permaneceu especialmente fraco na China e no Japão.

A dificuldade não se limita à Gucci. A Hermès, frequentemente considerada uma referência de resiliência no setor, também apresentou desaceleração, enquanto investidores passaram a questionar o ritmo de recuperação das grandes marcas europeias.

O problema, entretanto, não pode ser resumido à ideia de que os consumidores deixaram de gostar de luxo. O próprio grupo Kering apresentou resultados mais favoráveis em outras marcas, como Saint Laurent, Bottega Veneta e Brioni. Isso sugere que a crise não atinge todas as empresas da mesma maneira.

Existe uma distinção importante entre preço elevado e valor percebido. O primeiro pode ser determinado por uma estratégia comercial. O segundo depende de fatores mais complexos: qualidade, identidade, desejo, atendimento, tradição e confiança.

Nos últimos anos, parte da indústria elevou seus preços de maneira agressiva, aproveitando a expansão do consumo internacional e a força das marcas nas redes sociais. Mas a disposição para pagar valores crescentes não é ilimitada, especialmente quando o consumidor começa a perceber pouca diferença entre um produto extraordinário e outro que apenas ostenta um logotipo conhecido.

A Gucci tenta reconstruir sua atratividade sob a direção executiva de Luca de Meo e a orientação criativa de Demna. A estratégia inclui revisão do portfólio, maior atenção à qualidade e aos preços, além de uma reorganização de sua rede comercial. A Kering já havia fechado 105 lojas líquidas nos primeiros nove meses do ano e pretende alcançar pelo menos 125 até dezembro.

Talvez o aspecto mais interessante dessa transformação esteja no comportamento do comprador. O consumidor sofisticado não necessariamente procura o produto mais caro. Procura aquele cuja história, execução e experiência justifiquem sua escolha.

E isso nos leva a uma provocação: quando uma marca precisa lembrar constantemente ao público que é luxuosa, talvez esteja na hora de demonstrar novamente por que merece ser considerada assim.

Whisky & Spirits

A Macallan inverteu a ordem dos barris. E a verdadeira surpresa está no sabor

A Macallan inverteu a ordem dos barris. E a verdadeira surpresa está no sabor
O The Macallan Carta Nautica 20 Years Old explora uma sequência de maturação incomum para a destilaria, combinando a profundidade do carvalho de Jerez com a influência posterior de barris ex-bourbon.Foto: Divulgação / The Macallan

Durante muito tempo, aprendemos a reconhecer a identidade da Macallan pela influência dos barris de carvalho preparados com vinho de Jerez. São eles que ajudam a construir algumas das características mais conhecidas da destilaria: frutas secas, especiarias, profundidade e uma textura que se tornou referência entre os single malts de Speyside. Mas a nova coleção Carta Nautica apresenta uma pergunta interessante: o que acontece quando uma destilaria decide mudar a sequência de influência das madeiras?

A proposta da Macallan é incomum dentro de sua própria tradição. Em vez de utilizar barris que anteriormente receberam bourbon e concluir a maturação em carvalho preparado com Jerez, os whiskies da coleção percorrem o caminho inverso. Primeiro amadurecem em barris preparados com vinho de Jerez e depois são transferidos para barris que anteriormente contiveram bourbon americano.

A diferença parece pequena, mas merece atenção. A maturação não funciona como uma receita na qual os ingredientes produzem necessariamente o mesmo resultado, independentemente da ordem. Cada barril participa da evolução do destilado, modificando seu perfil aromático, sua estrutura e sua relação com a madeira.

Segundo Diane Stuart, integrante sênior da equipe de criação de whiskies da Macallan, a primeira etapa proporciona profundidade e estrutura, enquanto a passagem posterior por barris ex-bourbon introduz notas mais luminosas, como baunilha cremosa e frutas frescas. O objetivo não é apagar a identidade da destilaria, mas explorar outro equilíbrio entre suas características.

A expressão que melhor representa essa experiência é o Carta Nautica 20 Years Old, engarrafado a 42% de álcool e destinado ao mercado internacional de lojas de aeroportos. Após estrear em Singapura, o whisky começou a chegar a outros aeroportos selecionados em 19 de outubro.

Suas notas oficiais incluem casca de laranja, baunilha, abacaxi tostado, manga, chá de pêssego, figos caramelizados e chocolate com laranja. São descrições que sugerem uma combinação interessante entre a riqueza do carvalho de Jerez e um perfil frutado mais vibrante. Naturalmente, notas de degustação fornecidas pelo produtor não substituem uma avaliação sensorial independente.

A coleção também inclui um exemplar destilado em 1987, com 38 anos de maturação, além de outras expressões destinadas a mercados específicos. O conceito visual acompanha a travessia atlântica da madeira, conectando a América do Norte, Jerez de la Frontera e a Escócia.

Existe, porém, uma distinção técnica importante: inverter a ordem dos barris não significa descobrir um processo desconhecido pela indústria do whisky. Maturações sequenciais e acabamentos em diferentes madeiras já fazem parte do repertório de diversas destilarias. O que torna a Carta Nautica relevante é a escolha de aplicar essa sequência a uma casa cuja reputação foi construída, em grande medida, sobre a influência do carvalho preparado com Jerez.

O lançamento lembra algo que considero fundamental na compreensão do whisky: o barril não é apenas um recipiente onde o tempo passa. É um elemento ativo da construção sensorial.

E, como acontece com um bom alfaiate, não basta escolher o tecido. A ordem dos cortes, os ajustes e o acabamento também ajudam a definir o resultado.

A Macallan não está reinventando a maturação. Está demonstrando que até uma tradição consolidada pode revelar novas possibilidades quando alguém decide fazer uma pergunta diferente.

Reportagem completaA Macallan inverteu a ordem dos barris. Mas será que a ordem muda o sabor?

Encerramento

O olhar da OAK

O prestígio não se compra. O acesso, talvez.

Há uma diferença considerável entre possuir algo exclusivo e compreender o que o torna especial. A primeira condição costuma depender de dinheiro. A segunda exige uma qualidade que nenhuma etiqueta de preço consegue garantir: repertório.

É curioso observar como o mercado do luxo parece redescobrir essa distinção. Clubes privados investem milhões para oferecer aquilo que nenhuma taxa de associação consegue comprar: convivência. Marcas históricas procuram recuperar o desejo que seus próprios preços ajudaram a desgastar. E objetos produzidos para poucos continuam fascinando, não apenas pela raridade, mas pelas histórias que carregam.

Pelé não precisou de uma grife para se tornar elegante. Sua presença vinha antes da roupa. Da mesma forma, um grande whisky não se explica apenas pela idade estampada no rótulo, assim como um excelente charuto não se torna extraordinário simplesmente porque é difícil encontrá-lo.

Talvez estejamos entrando em uma fase mais interessante do consumo sofisticado. Uma fase em que a pergunta deixa de ser “quanto custa?” e passa a ser “o que isso acrescenta à minha vida?”.

Porque o dinheiro pode abrir muitas portas. Mas é o repertório que nos permite reconhecer o que realmente vale a pena encontrar do outro lado.

Carlos Henrique — Revista OAK

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