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Automóveis, design e arquitetura

O futuro do luxo está mudando. E nem todas as marcas estão olhando na mesma direção.

O futuro do luxo está mudando. E nem todas as marcas estão olhando na mesma direção.

Por Equipe OAK 12 min de leitura 5 notícias

O futuro do luxo está mudando. E nem todas as marcas estão olhando na mesma direção.

Existe uma contradição interessante no universo do luxo: as marcas passam décadas construindo uma identidade para, em algum momento, descobrir que precisam mudar justamente aquilo que as tornou famosas.

Nesta quarta-feira, a OAK reúne cinco histórias que ajudam a compreender esse dilema. A Ferrari surpreende ao reconhecer a ousadia tecnológica da Tesla. A Porsche apresenta um conceito que questiona a presença excessiva de telas nos automóveis. Na Bélgica, um museu transforma resíduos de construção em arquitetura contemporânea. Em Paris, uma antiga área industrial da Renault ganha uma nova função cultural.

São acontecimentos aparentemente distintos, mas que compartilham uma questão fundamental: inovar significa necessariamente romper com o passado?

A resposta talvez esteja na capacidade de distinguir aquilo que merece ser preservado daquilo que precisa evoluir. Uma marca pode recuperar seus princípios sem se tornar nostálgica. Um edifício pode utilizar materiais descartados sem abrir mão da sofisticação. E uma empresa centenária pode reconhecer uma boa ideia justamente no concorrente que ameaça suas certezas.

Nossa pauta coringa retorna ao universo do whisky com o novo Jack Daniel’s Coy Hill Rye, um lançamento que permite compreender como dez anos de maturação podem resultar em graduações alcoólicas extraordinárias.

Porque, na OAK, não nos interessa apenas descobrir o que há de novo. Interessa compreender por que algumas novidades realmente importam.

Boa leitura.

Carlos Leite | Revista OAK

Destaque editorial

Whisky & Spirits

O Jack Daniel’s que desafia os limites do álcool: o segredo dos barris de Coy Hill

Garrafa Jack Daniel's Single Barrel Special Release Coy Hill Rye 2026, whiskey de centeio envelhecido por dez anos e engarrafado com até 74,25% de álcool.
O Coy Hill Rye 2026 reúne dez anos de maturação, barris selecionados individualmente e graduações alcoólicas que chegam a 74,25%, revelando uma face pouco conhecida de Jack Daniel's.Jack Daniel's / Brown-Forman

Existe uma ideia bastante difundida entre os apreciadores de whisky: quanto mais tempo uma bebida permanece no barril, menor será sua graduação alcoólica. Parece lógico, afinal, parte do líquido evapora durante a maturação. Mas a química do envelhecimento é consideravelmente mais interessante.

O novo Jack Daniel’s Single Barrel Special Release Coy Hill Rye, anunciado em 20 de outubro, é um excelente exemplo. Depois de dez anos em barris de carvalho americano, o whiskey chega ao mercado com graduações entre 64,35% e impressionantes 74,25% de álcool.

A explicação começa no ambiente de maturação. Em armazéns sujeitos a variações de temperatura e umidade, água e etanol não evaporam necessariamente na mesma proporção. Em determinadas condições, a perda proporcional de água pode superar a de álcool, elevando a graduação do líquido remanescente.

Coy Hill, o ponto mais elevado da propriedade de Jack Daniel’s em Lynchburg, Tennessee, é conhecido pelas condições particulares de seus armazéns. Para esta edição, a destilaria selecionou aproximadamente 300 barris maturados desde 2016, explorando as diferenças que uma década de envelhecimento pode produzir.

Mas há outro detalhe que merece atenção: não estamos falando do tradicional Tennessee whiskey de milho associado ao Old No. 7.

A receita utiliza 70% de centeio, 18% de milho e 12% de cevada maltada. Antes de entrar nos barris novos de carvalho americano carbonizados, o destilado passa pelo Lincoln County Process, filtragem em carvão de bordo que, nessa receita, utiliza uma camada menor do que a empregada no whiskey tradicional da marca.

O resultado é um rye de perfil potencialmente mais especiado, com notas descritas pela destilaria que incluem frutas vermelhas, mel, carvalho tostado, melaço e chá-preto. Como se trata de uma edição single barrel, cada garrafa pode apresentar diferenças sensoriais.

É importante, entretanto, não confundir intensidade com qualidade. Uma graduação alcoólica excepcional não garante maior complexidade ou equilíbrio. A avaliação depende da integração entre álcool, madeira, textura, aromas e persistência.

A edição limitada reúne aproximadamente 31.800 garrafas, com preço sugerido de US$ 90 nos Estados Unidos.

Mais do que uma curiosidade numérica, Coy Hill demonstra como a localização do barril, o tempo e as condições ambientais podem influenciar profundamente a identidade de um whiskey.

E talvez essa seja a melhor maneira de compreender a maturação: o barril não funciona apenas como recipiente. Ele é o alfaiate do whisky, moldando sua personalidade ao longo dos anos.

Reportagem completaJack Daniel’s Coy Hill Rye: quando dez anos no barril desafiam a lógica do whisky

Automóveis, design e tecnologia

A Ferrari deu nota 10 à Tesla. O que isso revela sobre o futuro dos superesportivos?

Tesla Roadster, superesportivo elétrico apresentado em 2026 e elogiado por Benedetto Vigna, presidente executivo da Ferrari.
O novo Tesla Roadster recebeu elogios do presidente executivo da Ferrari e reacendeu o debate sobre inovação, tecnologia e o futuro dos superesportivos.Crédito: Tesla

Existe uma diferença importante entre reconhecer o talento de um concorrente e admitir que ele está fazendo algo que sua própria indústria precisa aprender. A primeira atitude é diplomacia. A segunda exige segurança, repertório e disposição para questionar convicções.

Foi isso que tornou interessante a declaração de Benedetto Vigna, presidente executivo da Ferrari, sobre o novo Tesla Roadster. Em entrevista divulgada em 20 de outubro, o executivo atribuiu nota máxima à tecnologia e à apresentação do esportivo americano. Mais do que elogiar Elon Musk, reconheceu que ainda existe espaço para ousadia numa indústria frequentemente condicionada por suas próprias tradições.

A Ferrari construiu seu prestígio combinando engenharia, competição, exclusividade e uma relação emocional entre automóvel e motorista. A Tesla, por sua vez, transformou a ruptura tecnológica e a comunicação de suas ambições em elementos centrais de sua identidade.

O Roadster apresentado em outubro chamou atenção por demonstrações envolvendo propulsores associados à tecnologia da SpaceX, incluindo manobras aéreas. A empresa prevê iniciar sua produção em 2028.

Mas existe uma distinção essencial entre espetáculo e engenharia: demonstrar uma capacidade num protótipo não equivale a comprovar sua viabilidade num veículo comercial. Segurança, homologação, confiabilidade e manutenção ainda precisarão responder às promessas.

É justamente nesse contraste que encontramos a discussão mais interessante.

A Ferrari também atravessa uma transformação tecnológica. Seus projetos de eletrificação demonstram que preservar uma identidade não significa permanecer imune às mudanças.

O desafio é descobrir quais características tornam uma marca reconhecível e quais precisam evoluir.

Durante décadas, potência, velocidade máxima e aceleração ajudaram a estabelecer hierarquias entre os superesportivos. Entretanto, quando tecnologias elétricas permitem alcançar desempenhos extraordinários, esses números deixam de ser suficientes para explicar o desejo.

O que permanece? A experiência de condução, o desenho, a engenharia, a história e a sensação de participar de algo singular.

Talvez o aspecto mais sofisticado da declaração de Vigna seja justamente reconhecer que boas ideias não respeitam fronteiras corporativas.

A Ferrari não precisa se transformar na Tesla. A Tesla tampouco precisa reproduzir a Ferrari.

Mas ambas precisam compreender que o futuro do automóvel esportivo será definido por algo mais complexo do que potência ou aceleração.

No universo do luxo, tradição não é sinônimo de imobilidade. É a capacidade de evoluir sem perder aquilo que torna uma marca relevante.

E uma empresa verdadeiramente segura de sua história não precisa diminuir seus concorrentes para preservar a própria grandeza.

Fontes

Automóveis, design e tecnologia

A Porsche quer ir além do 911. E descobriu que o futuro pode ter menos telas.

Porsche Mission S, conceito de superesportivo com motor central apresentado em outubro de 2026, com desenho inspirado na tradição esportiva da marca alemã.
O Porsche Mission S propõe uma nova interpretação do superesportivo, combinando referências históricas, controles físicos e uma experiência de condução menos dependente de telas.Porsche AG / Porsche Newsroom

Durante anos, a indústria automobilística pareceu convencida de que o futuro poderia ser medido pelo tamanho das telas instaladas nos painéis. Botões desapareceram, comandos físicos foram substituídos por menus e automóveis passaram a apresentar interiores que, em muitos casos, lembram mais dispositivos eletrônicos do que máquinas concebidas para dirigir.

A Porsche resolveu questionar essa lógica.

Apresentado em outubro de 2026, o Mission S antecipa uma nova proposta de superesportivo com motor central, posicionada acima do lendário 911. Mais do que desenvolver um automóvel de desempenho extraordinário, a fabricante alemã pretende recuperar algo que a tecnologia excessiva parece ter deixado em segundo plano: a experiência física de conduzir.

O interior é uma das decisões mais interessantes do projeto. Em vez de uma grande tela central permanente, a Porsche propõe instrumentos circulares, controles físicos e integração seletiva com dispositivos digitais. A informação continua disponível, mas deixa de disputar constantemente a atenção do motorista.

É uma mudança de perspectiva importante. Durante muito tempo, oferecer mais recursos tecnológicos significava demonstrar superioridade. Agora, a sofisticação parece caminhar na direção contrária: selecionar apenas aquilo que realmente melhora a experiência.

O projeto também dialoga com a história da marca. Referências a modelos como o 550 Spyder, 917 e 959 aparecem reinterpretadas numa linguagem contemporânea. Não se trata de reproduzir o passado, mas de compreender quais princípios continuam relevantes.

Existe ainda uma decisão estratégica por trás do conceito. O 911 permanece um dos automóveis mais reconhecíveis da história, mas a Porsche sinaliza espaço para desenvolver uma família de superesportivos com identidade própria.

Potência definitiva, preço e cronograma comercial ainda não foram estabelecidos publicamente. Por enquanto, o Mission S deve ser compreendido como uma declaração de intenções, não como um veículo pronto para chegar às concessionárias.

A questão mais interessante, entretanto, ultrapassa a Porsche.

Em uma época em que tantos produtos tentam justificar seu preço pela quantidade de funções oferecidas, o Mission S sugere que o verdadeiro luxo talvez esteja na capacidade de eliminar distrações.

Afinal, quando estamos diante de um grande automóvel, o que desejamos experimentar: a tecnologia que ele exibe ou a sensação que ele proporciona?

Talvez o futuro dos superesportivos não dependa apenas de fazer mais.

Mas de descobrir, finalmente, o que vale a pena preservar.

Arquitetura, design e sustentabilidade

O museu construído com entulho que está mudando a maneira de pensar a arquitetura

Nova ala do Design Museum Gent, na Bélgica, com fachada construída a partir de tijolos produzidos com resíduos reciclados da construção civil.
A nova ala do Design Museum Gent utiliza tijolos produzidos com resíduos da construção civil, demonstrando como materiais descartados podem ganhar uma nova função na arquitetura contemporânea.Design Museum Gent / Carmody Groarke

Durante muito tempo, a arquitetura associou inovação à utilização de materiais inéditos, estruturas espetaculares e soluções construtivas cada vez mais sofisticadas. Na cidade belga de Ghent, entretanto, um museu acaba de demonstrar que o futuro também pode ser construído com aquilo que a sociedade aprendeu a descartar.

Reaberto em outubro de 2026, após uma ampla transformação, o Design Museum Gent ganhou uma nova ala concebida pelo escritório britânico Carmody Groarke, em colaboração com profissionais belgas. Seu elemento mais interessante não está apenas na aparência contemporânea, mas na composição dos materiais utilizados.

A fachada emprega tijolos fabricados a partir de resíduos de construção e demolição recolhidos na região. Fragmentos de concreto, vidro e componentes cerâmicos ganharam uma segunda utilização, transformando materiais anteriormente considerados descartáveis em parte da identidade arquitetônica do edifício.

O chamado Gent Waste Brick incorpora aproximadamente 63% de resíduos em sua composição e utiliza um processo de cura à base de cal, dispensando a queima convencional em altas temperaturas.

Mais de 82 mil tijolos foram produzidos para o projeto.

Há ainda um detalhe técnico particularmente interessante. Durante a carbonatação, a cal reage com o dióxido de carbono presente no ambiente, incorporando parte desse carbono ao material. Isso não significa que o edifício inteiro seja carbono negativo, mas demonstra como processos construtivos podem reduzir determinados impactos ambientais.

A iniciativa também envolveu moradores da cidade, aproximando a comunidade da fabricação dos materiais e do próprio processo de transformação do museu.

O projeto estabelece um diálogo entre edifícios históricos e uma nova estrutura contemporânea, criando espaços para exposições, encontros e atividades culturais.

Mas sua contribuição mais relevante talvez seja conceitual.

A construção civil consome enormes quantidades de recursos naturais e produz resíduos em escala significativa. Repensar o destino desses materiais deixou de ser apenas uma questão ambiental para se transformar num desafio econômico, tecnológico e arquitetônico.

O Design Museum Gent não oferece uma solução universal. Cada material reciclado precisa atender a exigências de resistência, durabilidade e segurança.

Ainda assim, demonstra que a sofisticação de um edifício não depende necessariamente da raridade de seus componentes.

Existe algo profundamente contemporâneo na ideia de transformar o passado material de uma cidade em parte de seu futuro.

Talvez a arquitetura mais inteligente não seja aquela que utiliza os materiais mais extraordinários, mas aquela que consegue descobrir possibilidades extraordinárias nos materiais que já possuímos.

Arquitetura, arte e patrimônio

Onde a Renault fabricava automóveis, Paris agora fabrica cultura

Centro de arte contemporânea Le Large, na Île Seguin, próximo a Paris, construído no antigo território industrial da Renault.
Na antiga ilha industrial da Renault, o Le Large transforma um território histórico da indústria automobilística francesa em um novo centro de arte contemporânea.Foto: Nicolas Trouillard / RCR Arquitectes e CALQ

Há lugares que contam a história de uma cidade com mais precisão do que seus monumentos. Não necessariamente pela beleza, mas pelas vidas que passaram por eles. A Île Seguin, uma ilha no rio Sena, nos arredores de Paris, pertence a essa categoria.

Durante décadas, o território abrigou uma das instalações industriais mais emblemáticas da Renault. Ali, automóveis foram produzidos em escala, milhares de trabalhadores participaram da transformação econômica francesa e a indústria ajudou a construir uma nova maneira de viver, trabalhar e circular pelas cidades.

A fábrica encerrou suas atividades em 1992. Sua posterior demolição abriu um debate que atravessaria gerações: o que fazer com um lugar cuja importância histórica é maior do que os edifícios que sobreviveram?

A resposta começa a ganhar uma nova dimensão com a abertura do Le Large, centro de arte contemporânea integrado ao projeto Pointe des Arts, na Île Seguin. Concebido por RCR Arquitectes, escritório espanhol vencedor do Prêmio Pritzker em 2017, em colaboração com o francês CALQ, o espaço transforma uma antiga referência da produção industrial em território dedicado à criação artística.

A exposição inaugural, Moteur Imaginaire, estabelece uma conexão com esse passado. Sob curadoria de Cecilia Alemani, a mostra explora as relações entre máquinas, automóveis, sociedade e imaginação, com participação do Fonds Renault pour l’Art et la Culture.

É uma escolha particularmente interessante. Poucos objetos industriais modificaram tanto o cotidiano quanto o automóvel. Ele redefiniu distâncias, transformou paisagens, estimulou novas arquiteturas e passou a representar ideias tão diferentes quanto liberdade, progresso, consumo e status.

Mas existe uma questão que merece acompanhar a celebração dessa transformação.

Quando uma antiga fábrica desaparece para dar lugar a um centro cultural, estamos preservando sua memória ou apenas substituindo uma história por outra?

A arquitetura contemporânea frequentemente enfrenta esse dilema. Revitalizar territórios industriais pode devolver vida econômica e cultural a áreas antes inacessíveis. Entretanto, a substituição de estruturas históricas também pode apagar referências materiais importantes.

Na Île Seguin, o novo projeto oferece uma oportunidade de observar essa tensão entre renovação e memória.

O Le Large representa uma nova etapa na vida da ilha. Seu valor, porém, não dependerá exclusivamente da arquitetura ou da qualidade de suas exposições, mas da capacidade de estabelecer uma relação duradoura com o território.

Porque uma cidade não é feita apenas dos edifícios que constrói.

Também é feita das histórias que decide preservar.

Encerramento

O olhar da OAK

O futuro tem uma característica curiosa: frequentemente, ele nos obriga a reconsiderar aquilo que julgávamos ultrapassado.

Nesta edição, a Ferrari reconhece a ousadia tecnológica da Tesla, enquanto a Porsche sugere que a próxima grande inovação dos automóveis talvez seja devolver ao motorista aquilo que as telas começaram a retirar: o prazer de dirigir.

Na Bélgica, um museu demonstra que resíduos de construção podem se transformar em arquitetura sofisticada. Em Paris, o antigo território industrial da Renault encontra uma nova vocação na arte contemporânea. Dois exemplos de como preservar a memória não significa necessariamente conservar tudo como era.

E, no universo do whisky, o Jack Daniel’s Coy Hill Rye nos lembra que até o tempo pode produzir resultados inesperados. Afinal, dez anos dentro de um barril não significam apenas envelhecimento, mas uma sucessão de transformações químicas que nem sempre seguem aquilo que imaginamos.

O que aproxima essas cinco histórias não é apenas a inovação. É a capacidade de questionar certezas.

Como editor, acredito que o verdadeiro luxo está cada vez menos associado à quantidade de recursos que podemos acumular e cada vez mais à capacidade de reconhecer aquilo que realmente possui valor.

Um automóvel não precisa de mais telas para oferecer uma experiência melhor. Um edifício não precisa de materiais inéditos para ser extraordinário. E um whisky não precisa impressionar pela graduação alcoólica para merecer um lugar numa coleção.

Talvez a sofisticação esteja justamente nisso: saber o que acrescentar, o que preservar e, principalmente, o que já não faz falta.

Essa é a reflexão que deixo para vocês nesta quarta-feira.

Carlos Leite Revista OAK | Mapa do Whisky

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