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Viagens, hotéis e gastronomia
O LUXO DESCOBRIU O TUDO INCLUÍDO. E ISSO PODE MUDAR A HOTELARIA PARA SEMPRE.

Durante muito tempo, a expressão “tudo incluído” evocou grandes bufês, pulseiras coloridas e férias organizadas para que o hóspede não precisasse sair do hotel. O segmento de luxo preferia outro vocabulário: serviço sob medida, privacidade e experiências exclusivas. A inauguração do JW Marriott Costa Elena Resort & Spa, na Costa Rica, mostra que essa fronteira começa a mudar.
Anunciado oficialmente em 6 de outubro, o empreendimento é o primeiro resort all-inclusive da história da marca JW Marriott. Fica em Playa El Jobo, na região de Guanacaste, diante do Pacífico, e reúne 415 acomodações, 17 piscinas e 15 espaços gastronômicos, entre restaurantes e bares. A proposta comercial vai além da alimentação incluída: a rede utiliza a expressão “all-immersive” para apresentar uma estadia centrada em bem-estar, cultura local e experiências organizadas.
Há detalhes que ajudam a entender a estratégia. O resort inclui um espaço dedicado a práticas de atenção plena, tratamentos inspirados em ingredientes da região, atividades familiares e experiências gastronômicas relacionadas à Costa Rica. Um dos restaurantes explora tradições de Guanacaste; outro destaca influências afro-caribenhas. A arquitetura e os interiores, segundo a empresa, procuram dialogar com materiais e referências culturais locais.
O aspecto mais revelador talvez esteja dentro do próprio hotel: o Griffin Club funciona como uma experiência reservada, com recepção diferenciada, áreas exclusivas e atendimento personalizado. Ou seja, mesmo dentro de um resort tudo incluído, existe uma camada adicional de privacidade. A novidade não elimina a hierarquia de serviços; reorganiza a maneira como ela é apresentada.
A mudança também exige cautela do viajante. All-inclusive não significa necessariamente que todos os tratamentos de spa, passeios privados ou experiências especiais estejam cobertos pela tarifa. Antes da reserva, é indispensável conferir o que está efetivamente incluído, as condições de cancelamento e o acesso às áreas exclusivas.
A abertura recente sinaliza uma disputa por um público que deseja previsibilidade financeira sem abrir mão de conforto. O interesse vai além da Costa Rica: é uma pista sobre os caminhos possíveis da hotelaria internacional.
O olhar da OAK: talvez o luxo contemporâneo não esteja em pagar por cada gesto de atenção, mas em passar alguns dias sem precisar pensar na conta. A verdadeira exclusividade, porém, continua dependendo da qualidade da experiência — e não do nome escolhido para a tarifa.
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