Normalmente, quando uma marca lança um charuto raro, o problema é encontrá-lo. A Davidoff resolveu complicar um pouco mais. Criou três. Um está em Genebra. Outro, em Hong Kong. O terceiro, em Nova York. E cada um só pode ser comprado em sua própria cidade. Parece apenas uma estratégia de escassez. Mas existe uma ideia mais interessante por trás disso: transformar lugar em parte do produto.
TRÊS CIDADES. TRÊS CHARUTOS.
A nova Davidoff Boutique Selection foi criada exclusivamente para três endereços importantes da marca: as boutiques de Genebra, Hong Kong e Madison Avenue, em Nova York. Não são três embalagens para o mesmo charuto. São três blends diferentes. Todos utilizam o formato Toro, com 6 × 54, mas a composição muda de uma cidade para outra. A Davidoff construiu cada edição para oferecer uma personalidade própria. E aí começa a parte interessante.
GENEBRA NÃO TEM O MESMO GOSTO DE HONG KONG
A edição de Genebra utiliza quatro tabacos dominicanos provenientes de diferentes terroirs e recebeu intensidade 4 de 5. Hong Kong segue outro caminho. Seu blend foi construído com intensidade 3 de 5, buscando uma experiência distinta daquela oferecida na Suíça. Nova York, por sua vez, retorna à intensidade 4 de 5, mas novamente com uma arquitetura própria de tabacos. A embalagem acompanha a proposta: cada versão chega em caixa de dez unidades identificada com sua cidade. É quase como se a Davidoff tivesse criado três pequenos passaportes feitos de tabaco.
O LUXO DESCOBRIU O PODER DO ENDEREÇO
Existe algo acontecendo no mercado de luxo que vai muito além dos charutos. Alguns produtos estão deixando de ser apenas objetos para se transformar em prova de acesso. Um relógio disponível somente em determinada boutique. Uma bolsa comprada apenas em uma flagship. Uma edição de whisky vendida exclusivamente na destilaria. Agora, um charuto que exige que você esteja em determinado ponto do planeta. A escassez deixa de ser apenas:
“Existem poucos.”
E passa a ser:
“Você esteve lá?”
Para uma indústria construída em torno de ritual, origem e memória, isso faz bastante sentido.
PARA TER A COLEÇÃO, É PRECISO VIAJAR
Talvez esteja aqui a jogada mais inteligente da Boutique Selection. Comprar apenas um dos três é relativamente simples. Completar a coleção é outra história. Genebra. Hong Kong. Nova York. Três cidades separadas por milhares de quilômetros transformam algo que caberia facilmente em uma caixa em uma espécie de caça ao tesouro internacional. E isso muda a relação com o objeto. O charuto comprado durante uma viagem deixa de carregar somente seu blend. Carrega também onde você estava quando o encontrou.
OAK EM 30 SEGUNDOS
Charuto: Davidoff Boutique Selection Formato: Toro — 6 × 54 Edições: Geneva / Hong Kong / New York Disponibilidade: exclusiva das respectivas boutiques Apresentação: caixas com 10 unidades Destaque: três blends diferentes para três cidades Nota OAK: NÃO AVALIADO Colecionabilidade: ALTA Para fumar: sim — cada blend propõe uma experiência diferente Para colecionar: especialmente interessante como conjunto
TALVEZ O QUARTO INGREDIENTE SEJA A VIAGEM
Charutos sempre falaram muito sobre origem. Cuba. República Dominicana. Nicarágua. Honduras. A Davidoff acrescentou outra geografia à equação. Não apenas onde o tabaco nasceu. Mas onde você precisa estar para comprá-lo. E talvez seja justamente isso que transforme três novos Toros em algo mais interessante do que três novos Toros. Porque daqui a alguns anos alguém poderá abrir uma caixa e lembrar do blend. Ou olhar para ela e lembrar de Genebra, Hong Kong ou Nova York. No luxo, às vezes o objeto é apenas a parte que conseguimos guardar da experiência.





