A INJEÇÃO

Alexander Zverev durante uma pausa em quadra. Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos quatro anos, o alemão precisa monitorar a glicemia e administrar insulina também durante competições. Crédito: Clive Brunskill

No meio de uma final de Grand Slam, existem milhares de coisas que um tenista precisa controlar. A velocidade do saque. O posicionamento do adversário. A tensão das cordas. O placar. A respiração. O ruído de quase 24 mil pessoas em Arthur Ashe Stadium. Alexander Zverev precisava controlar mais uma. A glicose no próprio sangue. Durante a final masculina do US Open de 2026 contra Ben Shelton, as câmeras registraram Zverev administrando insulina. Não era um episódio extraordinário dentro de sua rotina. Extraordinário era o lugar onde aquela rotina estava acontecendo. Zverev convive com diabetes tipo 1 desde os quatro anos de idade. A condição exige acompanhamento da glicemia e administração de insulina — inclusive durante competições. Ele já falou publicamente sobre isso muitas vezes. Criou inclusive uma fundação dedicada a crianças e jovens com diabetes e tornou sua própria condição visível num esporte em que qualquer fração de desempenho importa. Mas naquela tarde havia algo diferente. Do outro lado da rede estava Ben Shelton. E atrás de Zverev havia seis anos.

A FINAL QUE DUROU SEIS ANOS

Em 2020, Alexander Zverev entrou em Arthur Ashe Stadium para disputar sua primeira final de Grand Slam. Do outro lado estava Dominic Thiem. Zverev ganhou os dois primeiros sets. Faltava um. Thiem voltou. A partida chegou ao quinto set. Depois ao tiebreak. E Zverev perdeu. Existem derrotas que aparecem no currículo. E existem derrotas que passam a morar nele. Por seis anos, quando se falava de Zverev e US Open, aquela noite estava inevitavelmente na conversa. Até 2026. Desta vez, contra Shelton, Zverev venceu por 6–3, 7–6(2), 5–7 e 6–2 e finalmente conquistou Nova York. Tornou-se também o primeiro alemão a vencer o título masculino do US Open desde Boris Becker, em 1989. Mas existe uma cena depois do último ponto que talvez explique melhor o tamanho da concentração necessária para chegar ali. Por alguns instantes, Zverev não percebeu que havia acabado de ganhar o US Open. Estava tão mergulhado na partida que precisou olhar ao redor para compreender o que havia acontecido. Pense na ironia. Um homem passou seis anos esperando aquele momento. E quando finalmente chegou, precisou de alguns segundos para percebê-lo.

A MULHER QUE NÃO ACEITOU O PROGNÓSTICO

Quando Alexander Zverev tinha quatro anos, o tênis ainda não era uma profissão. Era apenas uma possibilidade distante. Foi nessa idade que ele recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1. Depois da conquista em Nova York, Zverev voltou à infância para explicar por que o título também pertencia à mãe, Irina Zvereva. Segundo seu relato, os médicos alertaram a família sobre as limitações que a doença poderia impor à prática esportiva. Irina, ex-tenista profissional, recusou-se a transformar aquele prognóstico no roteiro da vida do filho. Décadas depois, aquela decisão ganhou uma imagem quase cinematográfica. Arthur Ashe Stadium. Uma final de US Open. Milhares de pessoas nas arquibancadas. E Zverev administrando insulina antes de voltar a disputar pontos que poderiam decidir um Grand Slam. A cena foi registrada durante a final contra Ben Shelton. É tentador escrever que Zverev “venceu” o diabetes. Seria uma frase bonita. E estaria errada. Diabetes tipo 1 não é um adversário que desaparece depois do match point. Ele continua ali na manhã seguinte. Exige controle, disciplina e tratamento contínuos. O extraordinário, portanto, não é ter derrotado a doença. É ter chegado ao mais alto nível do esporte administrando-a todos os dias. Talvez essa distinção torne a história ainda maior. Porque vencer um adversário pode exigir algumas horas. Aprender a conviver com aquilo que não podemos derrotar pode exigir uma vida inteira.

US$ 5,5 MILHÕES POR UMA TARDE

Depois do último ponto, outra cifra começou a circular pelo mundo. US$ 5,5 milhões. Foi o prêmio recebido por Zverev como campeão de simples do US Open de 2026 — o maior pagamento já destinado a um campeão de simples na história do torneio. A competição distribuiu US$ 108 milhões em compensações aos jogadores neste ano. O número é irresistível. Dá manchete. Dá comparação. Dá clique. Mas é justamente por isso que precisamos colocá-lo em perspectiva. Zverev não recebeu US$ 5,5 milhões por aquelas poucas horas contra Shelton. Recebeu por chegar até elas. Havia a final perdida para Dominic Thiem em 2020. O ouro olímpico em Tóquio. A grave lesão no tornozelo sofrida em Roland Garros em 2022. As temporadas em que carregou a incômoda definição de um dos melhores jogadores de sua geração ainda sem um Grand Slam. E finalmente 2026: Roland Garros e US Open no mesmo ano. O cheque pagou o torneio. O título remunerou simbolicamente anos que dinheiro nenhum poderia devolver. E então apareceu o relógio.

UM RELÓGIO PARA JOGAR. OUTRO PARA LEMBRAR.

Aqui a história entra num território particularmente OAK. Porque Zverev não simplesmente apareceu na cerimônia usando um relógio caro. A relação com a relojoaria estava também na quadra. Durante o torneio, Zverev competiu com um Jacob & Co. Epic X Skeleton customizado e pensado para acompanhá-lo durante o jogo. Isso já seria suficientemente interessante. Um relógio mecânico preso ao braço de um tenista profissional precisa conviver com acelerações, vibrações, suor, mudanças bruscas de direção e centenas de golpes durante uma partida. Mas Zverev tinha outro relógio esperando por ele. Para levantar o troféu, escolheu o Jacob & Co. The World Is Yours Dual Time Zone Tourbillon. E aqui alguém poderia encerrar a informação dizendo: US$ 280 mil. Nós preferimos começar por aí.

O MUNDO NO PULSO

O Jacob & Co. The World Is Yours Dual Time Zone Tourbillon, escolhido por Alexander Zverev para a cerimônia do título do US Open. Em ouro rosa 18 quilates e com um mapa-múndi tridimensional dominando o mostrador, a peça combina dois fusos horários independentes com um tourbillon central — e carrega um nome que ganhou significado especial naquela noite em Nova York: “The World Is Yours” — “O mundo é seu”. Crédito: Jacob & Co.

O The World Is Yours é uma peça de 43 mm em ouro rosa 18 quilates, construída ao redor de um mapa-múndi tridimensional. Possui dois fusos horários independentes e um tourbillon central de 30 segundos. É relojoaria feita para chamar atenção. Mas sua história é mais interessante do que sua exuberância. A coleção The World Is Yours nasceu de uma lembrança pessoal de Jacob Arabo, fundador da Jacob & Co.: um relógio com mapa-múndi que recebeu do pai ainda jovem. A ideia acabou transformada décadas depois numa família de relógios da marca. No pulso de qualquer outra pessoa, o nome já seria provocativo: The World Is Yours. No pulso de Alexander Zverev, minutos depois de finalmente conquistar o US Open, torna-se difícil não enxergar a coincidência. Mas coincidências ficam melhores quando não tentamos explicá-las demais. O homem que acabara de conquistar Nova York levantava o troféu com o mundo no pulso.

E ELE NEM SABIA QUE TINHA GANHADO

Talvez a melhor cena daquela tarde, porém, não envolva dinheiro, relógios ou troféus. Zverev sacou. Shelton não devolveu. Fim. Só que o campeão não comemorou imediatamente. Por alguns segundos, continuou concentrado, como se ainda existisse outro ponto para disputar. Depois percebeu as reações ao redor. Ele havia vencido. O próprio US Open registrou o momento: Zverev estava tão concentrado que não percebeu imediatamente que havia conquistado o campeonato. É difícil imaginar metáfora melhor. Durante seis anos, ele soube exatamente o que faltava para terminar aquela final de 2020. Em 2026, quando finalmente terminou a história, precisou de alguns segundos para perceber.

O TEMPO ENTRE QUASE E FINALMENTE

Relógios são objetos estranhos. Gastamos séculos tornando-os cada vez mais precisos. Depois começamos a pagar fortunas por aqueles que fazem muito mais do que simplesmente informar as horas. Tourbillons. Calendários perpétuos. Cronógrafos. Fusos horários. Mapas do mundo. Mas nenhum deles consegue medir algumas das unidades de tempo que realmente importam. Quanto dura uma derrota? Quanto tempo leva para alguém deixar de ser “quase”? Quantos anos existem entre a pessoa que você imaginava que seria e aquela que finalmente conseguiu se tornar? Para Alexander Zverev, uma dessas respostas é: seis anos. De Nova York a Nova York. Da final perdida de 2020 ao título de 2026. De um menino cuja família ouviu que uma condição crônica poderia limitar sua vida esportiva ao homem administrando insulina durante uma final de Grand Slam. E então voltamos ao relógio. O Jacob & Co. no pulso de Zverev custa aproximadamente US$ 280 mil. É uma máquina extraordinária para medir o tempo. Mas naquela noite em Nova York ele estava medindo algo que dinheiro nenhum consegue comprar: o tempo entre quase conseguir e finalmente conseguir.

OAK EM 30 SEGUNDOS

ALEXANDER ZVEREV — US OPEN 2026 Idade: 29 anos Nacionalidade: alemã Final: Zverev 3 × 1 Ben Shelton Placar: 6–3, 7–6(2), 5–7, 6–2 Grand Slams em 2026: Roland Garros + US Open Premiação do US Open: US$ 5,5 milhões Condição: diabetes tipo 1, diagnosticada aos quatro anos Relógio da cerimônia: Jacob & Co. The World Is Yours Dual Time Zone Tourbillon A história por trás do título: seis anos depois de perder a final do US Open de 2020.

REGRA OAK: Há vitórias que entram para as estatísticas. E há aquelas que só fazem sentido quando sabemos quanto tempo levou para chegar até elas.

Alexander Zverev abraça o troféu do US Open de 2026 após conquistar em Nova York o título que havia escapado seis anos antes. No pulso, o Jacob & Co. The World Is Yours, detalhe que transforma a imagem em síntese perfeita da história: o troféu finalmente conquistado, o tempo que levou para chegar até ele e um relógio cujo nome significa “O mundo é seu”. Crédito: USTA / US Open.