O homem diante da vitrine não precisava olhar para o pulso. O celular estava no bolso. Provavelmente havia outro relógio no painel do carro que o levara até ali, mais um no computador e talvez outro na televisão de casa. Nunca estivemos cercados por tantos lugares capazes de nos dizer as horas. E talvez nunca tenhamos desejado tanto um objeto criado para medi-las. No último fim de semana, bastavam alguns metros dentro do Watch Time Experience, no WTC Events Center, em São Paulo, para perceber essa contradição. Homens se inclinavam sobre vitrines, fotografavam mostradores, comparavam braceletes, perguntavam referências. Alguns viravam os relógios para observar movimentos que, quando estivessem novamente no pulso, provavelmente ninguém mais veria. Havia Rolex, Omega, IWC, Parmigiani Fleurier e Breitling. Nomes que dispensam grandes apresentações para quem acompanha relojoaria. Mas, alguns passos adiante, a história começava a ficar mais interessante. Havia relógios que já pertenceram a outras pessoas. Referências que desapareceram dos catálogos. Peças de épocas diferentes convivendo com marcas brasileiras tão jovens que ainda estão escrevendo os primeiros capítulos de suas próprias histórias. A primeira edição do Watch Time Experience aconteceu nos dias 25 e 26 de setembro, no WTC Events Center, celebrando os 25 anos da Watch Time. Cerca de 25 expositores reuniram grandes maisons, comerciantes especializados, mercado secundário, colecionadores e novas marcas brasileiras. Markdown colado Era possível atravessar aquela sala pensando apenas em relógios. Mas era muito mais interessante atravessá-la olhando para as pessoas. Porque, por trás das vitrines, calibres, caixas de aço, ouro, mostradores e cifras, havia uma transformação acontecendo: gente que talvez tenha entrado nesse universo atraída por uma logomarca começava a fazer perguntas sobre referência, movimento, procedência, história e raridade. A feira, então, deixava de ser apenas uma exposição de relógios. Parecia um retrato de como o brasileiro está aprendendo a colecioná-los.

O CELULAR MATOU UMA FUNÇÃO. NÃO MATOU O RELÓGIO.

Durante séculos, boa parte da história da relojoaria foi uma perseguição quase obsessiva à precisão. Saber as horas não era apenas uma conveniência. No mar, poderia ajudar a determinar a posição de um navio. Nas ferrovias, permitia coordenar partidas e chegadas. Na aviação, organizava etapas de uma missão. Na vida cotidiana, significava algo bem mais simples: chegar na hora certa. Foi tentando dominar esses segundos que a relojoaria aperfeiçoou movimentos, escapamentos, balanços e cronômetros. Gerações de engenheiros e relojoeiros trabalharam para tornar pequenas máquinas mecânicas cada vez mais precisas. Até que colocamos no bolso uma máquina muito melhor nisso. O celular passou a nos entregar a hora com uma precisão que um relógio mecânico dificilmente poderia disputar. Pela lógica mais simples, portanto, o relógio tradicional deveria ter seguido o destino de tantos objetos que a tecnologia tornou desnecessários. Não aconteceu. E talvez justamente aí esteja uma das partes mais interessantes dessa história. Quando deixou de ser indispensável para nos dizer as horas, o relógio ficou livre para nos dizer outras coisas. Passou a ser design e engenharia. Memória e identidade. Status, certamente — seria ingênuo fingir que não. Mas também história, conhecimento, obsessão por detalhes e, para alguns, uma forma muito particular de expressão pessoal. No Watch Time Experience, essa transformação podia ser observada diante das vitrines. Um visitante passava por relógios cuja marca seria reconhecida a vários metros de distância e, poucos minutos depois, permanecia longamente diante de uma peça que provavelmente passaria despercebida no pulso para quase todo mundo. E essa talvez seja uma das mudanças mais curiosas que acontecem quando alguém começa a entender de relógios: o prazer de reconhecer vai, aos poucos, dividindo espaço com o prazer de descobrir. É nesse ponto que começa a existir uma diferença importante entre comprar relógios e colecioná-los.

PRIMEIRO VOCÊ QUER A MARCA. DEPOIS COMEÇA A QUERER A HISTÓRIA.

Existe uma porta de entrada bastante compreensível para o universo dos relógios. Ela costuma trazer nomes conhecidos: Rolex, Omega, Breitling, Cartier. Marcas que conseguiram algo raro — ultrapassaram as fronteiras da própria relojoaria e se tornaram símbolos culturais. Você não precisa conhecer calibres, referências ou complicações para saber que um Rolex é um Rolex. E não há nada de errado nisso. Marcas se tornam símbolos justamente porque passaram décadas — algumas, mais de um século — construindo reconhecimento, desejo e identidade. O interessante acontece quando o nome no mostrador deixa de ser suficiente. Você começa querendo saber quanto custa. Depois quer entender por que custa aquilo. Descobre que dois relógios aparentemente parecidos podem provocar reações completamente diferentes entre colecionadores. Começa a perguntar sobre o movimento, o acabamento, a arquitetura da caixa, a história daquela referência. Descobre que determinado mostrador existiu durante poucos anos e que uma pequena alteração quase imperceptível para a maioria das pessoas pode transformar uma versão específica em objeto de procura. No Watch Time Experience, era possível percorrer essa evolução quase fisicamente. Em uma vitrine estavam peças imediatamente reconhecíveis como luxo. Alguns metros adiante, três relógios da Parmigiani Fleurier exigiam outra coisa de quem passava diante deles. Não necessariamente mais dinheiro. Mais repertório. Para muita gente, o nome Parmigiani Fleurier ainda não produz o reconhecimento instantâneo de Rolex ou Omega. É preciso parar. Olhar. Perguntar. Descobrir quem é Michel Parmigiani, entender a manufatura, observar proporções, movimentos e acabamentos. Só então aquele objeto começa a revelar por que está naquela vitrine. E talvez seja justamente aí que o colecionismo fique realmente perigoso. Porque chega um momento em que você deixa de desejar apenas aquilo que reconhece e começa a desejar aquilo que aprendeu a reconhecer. E descobrir é uma das drogas mais eficientes do colecionismo.

Três peças que ajudam a explicar por que raridade não depende apenas do nome no mostrador: referências fora de catálogo, configurações menos comuns e exemplares de períodos específicos podem se tornar progressivamente mais difíceis de encontrar. No mercado secundário, são justamente esses detalhes — referência, configuração, estado e procedência — que transformam um relógio antigo em objeto de coleção. Crédito: Foto: Revista OAK

ENTÃO APARECE UM RELÓGIO QUE JÁ TEVE OUTRO DONO

Talvez uma das maiores mudanças culturais da relojoaria contemporânea esteja acontecendo justamente aqui. Durante muito tempo, “usado” poderia soar como uma condição inferior. No colecionismo, essa lógica não funciona. Um relógio pode ser desejável justamente porque já não é novo. Pode existir um mostrador que desapareceu, uma referência descontinuada, uma configuração rara ou um calibre pertencente a determinado período. Pode ser uma caixa que envelheceu de uma maneira particular. Pode ser uma história de procedência. De repente, idade deixa de significar depreciação automática. Às vezes, significa exatamente o contrário. Nas vitrines do Watch Time Experience, empresas especializadas no mercado secundário colocavam lado a lado relógios de diferentes períodos e fabricantes. A Empire Watches & Jewelry, por exemplo, trabalha com relógios novos e seminovos e informa manter mais de 250 peças em acervo. A cena brasileira acompanha uma transformação internacional muito maior. Segundo a Deloitte, a intenção declarada dos consumidores pesquisados de comprar relógios *pre-owned* dobrou entre 2020 e 2024. Em seu estudo mais recente, a consultoria aponta preço e acesso a peças únicas ou indisponíveis entre os motivos relevantes para a procura pelo mercado secundário. As estimativas sobre o tamanho exato desse mercado variam conforme metodologia e definição. Uma projeção da Grand View Research coloca o segmento global de relógios de luxo *pre-owned* em US$ 35,7 bilhões em 2026, com crescimento significativo projetado para os próximos anos. No Brasil, estimativas de mercado também apontam expansão do segmento, embora devam ser lidas como projeções de consultorias, e não como dados oficiais de vendas. Há uma razão bastante humana para isso. O mercado secundário não vende apenas relógios usados. Ele vende acesso ao passado.

Um Omega com mostrador de inspiração astronômica chama atenção no Watch Time Experience. Mais do que marcar as horas, peças desse tipo mostram como complicações, edições especiais e configurações menos convencionais podem transformar um relógio em objeto de interesse para o colecionador — especialmente quando deixam o catálogo. Crédito: Foto: Revista OAK

O RELÓGIO QUE VOCÊ PROCURA TALVEZ NÃO EXISTA MAIS

Essa frase ajuda a explicar por que o second hand é tão importante para a cultura do colecionismo. Imagine descobrir hoje um relógio lançado há vinte anos. Você gosta do tamanho, do mostrador, da história. Talvez daquele calibre específico. Só existe um problema: a fabricante não o produz mais. O varejo tradicional não consegue voltar no tempo. O mercado secundário consegue. E é justamente aí que “seminovo” deixa de ser simplesmente uma alternativa mais barata ao novo e passa a constituir um mercado próprio. Naturalmente, isso cria outro problema: confiança. Autenticidade, estado de conservação, peças substituídas, documentação, procedência e histórico de serviço passam a fazer parte da equação. A profissionalização do mercado de pre-owned depende diretamente da capacidade de reduzir essas incertezas. A Deloitte identifica justamente certificação, autenticação e maior confiança como elementos importantes para a expansão desse ecossistema. Colecionar não é simplesmente encontrar. É saber o que encontrou.

E ENTÃO, ENTRE OS SUÍÇOS, APARECE O BRASIL

Talvez uma das cenas mais reveladoras do Watch Time Experience não estivesse nas vitrines mais caras. Estava nos estandes de marcas brasileiras. A Terranova Watches nasceu em 2024, fundada pelo engenheiro Douglas Emerich. Em vez de tentar esconder sua origem atrás de um nome com aparência suíça, decidiu fazer o contrário: transformar referências brasileiras em parte do produto. Terranova Watches com modelos como: Copacabana. Vila Rica. Automobilista. O Vila Rica procura referências na arte barroca mineira. A coleção Automobilista olha para o automobilismo brasileiro. Copacabana parte de um dos lugares mais reconhecíveis do país. Terranova Watches Isso é interessante porque durante muito tempo boa parte do luxo produzido fora dos grandes centros tradicionais parecia precisar esconder de onde vinha. Aqui, a origem virou argumento. Poucos metros adiante, outra jovem marca brasileira levava essa ideia ainda mais longe. YPY. Em tupi antigo, o nome remete a início, origem. É difícil imaginar palavra mais adequada para uma microbrand brasileira tentando encontrar espaço em um mercado cuja tradição europeia é medida em séculos. A própria YPY se define como uma microbrand brasileira e trabalha com titânio, safira e movimentos mecânicos japoneses em projetos construídos ao redor de narrativas nacionais. YPY Um deles homenageia o 1º Grupo de Aviação de Caça brasileiro. Outro olha para o espaço. O Astronauta, desenvolvido em parceria com a Mauricio de Sousa Produções, usa caixa de titânio, cristal de safira e um Miyota 9039 automático. No mostrador de aventurina, a nave do personagem percorre o sistema solar transformada no ponteiro de segundos. YPY Não estamos falando de substituir a Suíça. Essa seria uma comparação sem sentido. Estamos falando de outra coisa. O surgimento de consumidores suficientemente interessados em relojoaria para desejar também aquilo que ainda não possui cem anos de história.

Terranova Vila Rica, de uma jovem marca brasileira que escolheu transformar identidade nacional em linguagem relojoeira. Inspirado no barroco mineiro, o modelo mostra o outro extremo do colecionismo: não a raridade construída pelo passado, mas uma marca que começa agora a construir a história que poderá torná-la colecionável no futuro. Crédito: Foto: Revista OAK
A YPY leva para a relojoaria independente brasileira uma narrativa construída a partir da própria origem. Com referências nacionais, movimentos mecânicos e produção em pequena escala, a jovem microbrand representa um mercado que ainda não possui décadas de história — mas começa agora a produzir peças que poderão contar essa história no futuro. Crédito: Foto: Revista OAK

SECOND HAND OLHA PARA TRÁS. MICROBRANDS OLHAM PARA FRENTE.

Talvez essa tenha sido a melhor maneira de entender o que estava acontecendo naquela sala. De um lado, o mercado secundário. Ele procura no passado aquilo que não podemos mais comprar no presente. Do outro, as microbrands. Elas tentam criar hoje alguma coisa que talvez alguém queira procurar no futuro. Entre os dois estão as grandes maisons. Omega. IWC. Breitling. Parmigiani. Rolex. Marcas que já possuem exatamente aquilo que as jovens fabricantes ainda precisam conquistar: tempo. Não o tempo indicado pelos ponteiros. O outro. Décadas de continuidade. Reconhecimento. Erros. Acertos. Modelos esquecidos. Modelos que se tornaram ícones. Histórias que ninguém conseguiria fabricar em uma campanha publicitária porque simplesmente precisam acontecer. É por isso que construir uma marca de relógios é tão difícil. Você pode comprar uma excelente máquina CNC. Pode encomendar um bom movimento. Pode produzir safira, titânio, aço e excelentes mostradores. O que não pode encomendar é passado. Ele precisa ser esperado.

O MERCADO BRASILEIRO ESTÁ FICANDO MAIS INTERESSANTE

Há números que ajudam a dimensionar esse movimento. Uma estimativa recente da Grand View Research calcula que o mercado brasileiro de relógios de luxo movimentou cerca de US$ 325 milhões em 2025 e projeta crescimento até 2033. O mesmo estudo aponta o varejo físico como predominante em 2025, enquanto o canal online apresenta maior ritmo projetado de expansão. Grand View Research É importante não transformar projeções em certezas. Mas a direção ajuda a explicar por que encontros presenciais começam a fazer sentido. Relógios são extraordinariamente digitais na descoberta. Instagram. YouTube. Fóruns. Marketplaces. Grupos. Reviews. Mas continuam profundamente físicos no momento da paixão. É preciso experimentar. Sentir o peso. Descobrir se 41 milímetros parecem enormes ou perfeitos no seu pulso. Ver se aquele verde é realmente o verde mostrado na fotografia. Ouvir um bracelete. Acionar uma coroa. Virar a caixa e encontrar um movimento que até então existia apenas numa tela. Talvez por isso seja particularmente significativo que o primeiro Watch Time Experience tenha surgido justamente agora. A Watch Time nasceu como veículo especializado em 2001 e transformou seus 25 anos em um encontro presencial entre esse ecossistema. Watch Time Depois de anos em que boa parte da cultura relojoeira brasileira cresceu através das telas, as pessoas voltaram a colocar os relógios sobre a mesa.

NÃO, TODO RELÓGIO NÃO É INVESTIMENTO

Há ainda uma conversa que precisa ser feita. O crescimento do mercado secundário transformou relógios em ativos observados também por sua capacidade de preservar ou aumentar valor. Isso trouxe novos compradores. E trouxe exageros. Durante a euforia dos anos da pandemia, determinados modelos chegaram a negociar no mercado secundário por valores muito superiores aos preços oficiais. Depois, parte dessa exuberância diminuiu. Dados da Chrono24 sobre 2025 apontam justamente uma normalização do mercado, inclusive da Rolex, depois do pico especulativo daquele período. Isso talvez seja saudável para o colecionismo. Porque relógio pode preservar valor. Alguns podem valorizar extraordinariamente. Outros não. Transformar qualquer relógio caro em “investimento” é confundir possibilidade com regra. Colecionadores melhores aprendem algo que investidores também deveriam conhecer: preço e valor conversam, mas não são sinônimos. Às vezes o relógio mais interessante de uma coleção não é o mais caro. É aquele que obrigou seu proprietário a aprender alguma coisa para desejá-lo.

TALVEZ O COLECIONADOR COMECE QUANDO A LOGOMARCA DEIXA DE SER SUFICIENTE

É possível entrar nesse universo querendo simplesmente um relógio famoso. Depois você aprende uma referência. Depois outra. Descobre o movimento. Descobre que determinada caixa mudou de proporção. Que determinado mostrador existiu por poucos anos. Que uma manufatura independente produz algo extraordinário que seus amigos provavelmente nunca reconhecerão. Um dia você percebe que está olhando para um relógio brasileiro de uma marca criada há dois anos e fazendo perguntas sobre acabamento, calibre e história. Nesse momento aconteceu alguma coisa. A marca ainda importa. O preço ainda importa. O desejo certamente importa. Mas o conhecimento entrou na decisão. Talvez seja justamente aí que um comprador começa a se transformar em colecionador.

OAK EM 30 SEGUNDOS — WATCH TIME EXPERIENCE 2026

O que foi: primeira edição do Watch Time Experience Quando: 25 e 26 de setembro de 2026 Onde: WTC Events Center, São Paulo Origem: celebração dos 25 anos da Watch Time O que encontramos: grandes marcas internacionais, alta relojoaria, relógios contemporâneos e vintage, mercado secundário, comerciantes especializados e microbrands brasileiras O que mais chamou nossa atenção: a convivência, no mesmo espaço, entre peças consagradas pelo passado e marcas brasileiras tentando construir seu futuro. Watch Time

NINGUÉM ALI PRECISAVA SABER QUE HORAS ERAM

No fim da visita, a contradição do começo continuava intacta. Celulares permaneciam nos bolsos. A hora continuava disponível em dezenas de telas. Nenhuma pessoa naquela sala precisava gastar alguns milhares — muito menos dezenas ou centenas de milhares de reais — para resolver o problema de descobrir que horas eram. Mesmo assim, continuavam olhando para os pulsos. Talvez porque o relógio tenha feito algo raro. Sobreviveu à própria obsolescência. Quando deixou de ser indispensável como ferramenta, teve de encontrar outras razões para existir. Alguns o usam para mostrar conquista. Outros compram engenharia. Há quem procure design. Quem procure raridade. Quem queira carregar uma história. E há aqueles que passam anos procurando uma referência que praticamente ninguém ao redor reconhecerá. É difícil imaginar comportamento menos racional. E talvez colecionar nunca tenha sido exatamente sobre racionalidade. Antes de sair, olhei novamente para aquelas vitrines. Havia relógios suíços centenários. Relógios que já tiveram outros donos. Relógios brasileiros de marcas que praticamente acabaram de nascer. Passado, presente e futuro tentando ocupar o mesmo espaço de alguns centímetros no pulso. Então fica mais fácil entender por que o relógio mecânico não morreu quando o celular tomou sua função. Nós deixamos de precisar dele para saber que horas são. Finalmente pudemos escolher o que queremos que ele diga sobre nós.